10 de julho de 2017

Por que a cura divina não acontece em certas ocasiões

Essa é uma pergunta difícil, e eu certamente não tenho uma lista de todas as condições para que Deus opere graciosamente. Mas temos discernido algumas razões pelas quais isso ocorre.

I. ENFERMIDADE EDUCATIVA ENVIADA POR DEUS
A cura pode não estar sendo alcançada porque aquela determinada enfermidade foi enviada pelo próprio Deus com um propósito corretivo, pedagógico, educativo.
Pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho (Hb 12.6). Paulo, por exemplo, quando acometido de um espinho na carne, orou a Deus para ser curado, mas não foi atendido em razão da necessidade dele ser disciplinado. Veja-se:
Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. (2Co 12.7,8)
Embora a Bíblia não conte o desfecho desse episódio, entendemos que havendo a correção pretendida por Deus, cessam as causas da enfermidade, e Deus então a retira. De fato, isso se deu na conversão de Paulo:

Os que estavam comigo me levaram pela mão até Damasco, porque o resplendor da luz me deixara cego. (At 22.11).
Mais tarde, no entanto, o Senhor ordenou que um cristão chamado Ananias operasse a cura:

Então Ananias foi, entrou na casa, impôs as mãos sobre Saulo e disse: "Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que lhe apareceu no caminho por onde você vinha, enviou-me para que você volte a ver e seja cheio do Espírito Santo". (At 9.17).

E como saber se a enfermidade vem para nos corrigir? Bem, não há uma resposta única. O Espírito Santo é quem pode revelar isso à pessoa. Por esse motivo, quando você estiver diante de uma enfermidade, não ignore a sensação de que você precisa se corrigir com o Pai Celeste.

II. FALTA DE FÉ
Essa é a causa mais comum, acredito. Há ao menos três passagens bíblicas que dão apoio a essa compreensão:

E [Jesus] não realizou muitos milagres ali, por causa da incredulidade deles. (Mt 13.58).
E a oração feita com fé curará o doente. O Senhor o levantará. (Tg 5.15a).
Então os discípulos se aproximaram de Jesus em particular e perguntaram: "Por que não conseguimos expulsá-lo?" Ele respondeu: "Por que a fé que vocês têm é pequena. Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: ‘Vá daqui para lá’, e ele irá. Nada lhes será impossível. (Mt 17.19,20) 
(Conquanto essa última passagem se refira a libertação, o princípio é o mesmo: é necessário fé bastante).

A fé pode proceder tanto do indivíduo enfermo, quanto de quem estiver orando por ele, ou ainda daqueles estiverem intercedendo por essa cura. Se ao menos um deles tiver fé suficiente, o poder do alto deverá operar.

Um exemplo da fé advinda do enfermo está em Atos:
"Quando Paulo olhou diretamente para ele e viu que o homem tinha fé para ser curado, disse em alta voz: 'Levante-se! Fique de pé!' Com isso, o homem deu um salto e começou a andar. (At 14.9,10).
Vemos a fé dos intercessores no seguinte texto:
Alguns homens trouxeram-lhe um paralítico, deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: "Tenha bom ânimo, filho; os seus pecados estão perdoados". [...] disse ao paralítico: "Levante-se, pegue a sua maca e vá para casa". (Mt 9.2-6).
Anote-se, entretanto, que como Jesus perdoou os pecados daquele paralítico, é certo que o próprio enfermo estava entre aqueles em quem Jesus enxergou fé. Não obstante, entendemos que a fé dos intercessores bastaria para a cura dele.

Por fim, a certeza do operar divino pode proceder daquele que está orando, mesmo que a fé do doente seja muito pequena. Nesse particular, não conheço um texto das Escrituras que explicite isso com clareza, mas é inferível. Podemos ver algo assim no dia de pentecostes:
Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava. Havia em Jerusalém judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo. Ouvindo-se este som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua. (At 2.4-6).
Embora já fosse promessa divina, a fé que instrumentalizou o derramamento do Espírito procedeu dos discípulos de Jesus, pois nos dias anteriores eles vinham orando continuamente (At 1.14). Ali em pentecostes, até mesmo aqueles que não eram seguidores de Jesus, receberam um sinal miraculoso operado nos ouvidos da multidão, pois cada um ouvia o falar em línguas dos santos como se esses estivessem falando na língua materna do ouvinte, como quem tivesse recebido a interpretação das línguas. De modo que a fé adveio dos santos em Jerusalém, mas o milagre alcançou os homens de pouca (ou nenhuma) fé.


III. CONSEQUÊNCIA DE PECADO NÃO CONFESSADO
Enquanto escondi os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemerPois de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; minha força foi se esgotando como em tempo de seca. Pausa. Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: "Confessarei as minhas transgressões ao Senhor", e tu perdoaste a culpa do meu pecado. (Sl 32.3-5).
Não é preciso ser cientista para saber que aquele que se enferma da mente também sujeita o organismo a adoecer. Imagine-se alguém que por anos nutre uma mágoa profunda, ora, ele estaria também submetendo o próprio organismo ao risco de enfermar. Eu, certa vez, fiquei tão aflito e angustiado com uma circunstância que comecei a sentir frio ao ponto de ter que me agasalhar — num dia de calor.

Davi, como se vê no texto acima, estava padecendo fisicamente pelo pecado que estava tentando acobertar. E o texto sugere ainda que o próprio Yawé também estava o afligindo, já que a mão dele pesava sobre Davi. Isso o consumiu até o dia em que resolveu confessar aquela transgressão a Deus e rogar pelo perdão dele. Só assim é que Davi pôde sentir a liberação da culpa que estava o corroendo.

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