23 de janeiro de 2012

Qual a Pronúncia do Nome de Jesus, Yeshua?

Costuma causar certo espanto nas pessoas quando lhes digo que "Yeshua" não consta nos originais bíblicos. E ainda ficam desconfiadas quando afirmo que essa pronúncia é somente uma teoria, uma conjectura.

Pois é, em nenhuma passagem sequer dos manuscritos do Novo Testamento iremos encontrar "Yeshua" (lembrando que Jesus só se revelou no Novo Testamento).

Sabe como está escrito "Jesus Cristo" no original, em grego? Assim: Ἰησοῦς Χριστός. Transformando para nossas letras, ficaria assim: Iesous Christos.

ICHTYS, "peixe" em grego. Símbolo usado
pelos cristãos primitivos. Acrônimo de
Iesous Christos Theou Yios Soter
(Jesus Cristo Filho de Deus, Salvador).
É fácil provar, é só clicar aqui ou aqui. Além de "Iesous", aparecem as variantes "Iesou", "Iesoi" e "Iesoun" – em grego o final da palavra é um designativo gramatical.

Nada disso tudo é segredo algum. É um fato público, não é nenhuma nova descoberta.

Em nosso sistema linguístico luso-brasileiro, ocorreu o seguinte. Nas primeiras traduções dos originais bíblicos para o Latim, a palavra "Iesous" foi transliterada para "Iesus" (veja aqui). Com a evolução da escrita, a letra "I" se tornou "J". E por fim, como a língua portuguesa descende do Latim, herdou-se a forma "Jesus", pela qual o Filho de Deus ficou conhecido em nossas terras.

Então de onde veio o tal "Yeshua" que vem sendo tratado como verdade líquida e certa? Como disse, é apenas uma teoria, uma hipótese de como seria o nome dele em hebraico, mas não é o que está escrito. Aliás, se Deus desejasse que o nome dele fosse outro, outro teria sido escrito. Vale o que está nas Escrituras e não especulações humanas. Por isso, se alguém julga importante se ater a isso, saiba que o modo bíblico original é Iesous Christos.

Pois o nome representa a pessoa. O nome de Jesus representa a pessoa dele, em qualquer idioma em que for falado. Não é uma palavra mágica. Não existe mágica na combinação gráfica ou fonética de uma palavra, mas existe sim poder em Cristo Jesus, na pessoa dele.

Não foi por outra razão que em certa ocasião alguns homens invocaram o "Jesus que Paulo prega" e tomaram uma sova dos demônios (At 19.13-17). É claro que eles pronunciavam o nome de Jesus tal qual o apóstolo Paulo o fazia. Eles, porém, não conheciam a pessoa de Cristo. Aquele que não tem o Filho também não tem o Pai (1Jo 2.23). Pois a questão é em QUEM estamos, o nome de QUEM invocamos. É uma articulação sonora ou é o próprio Senhor?

Devo acautelar você, entretanto, que o emprego de "Yeshua" vem implicitamente acompanhado de uma heresia cada vez mais comum em nossos dias, trata-se de uma nova onda judaizante. São esses que tem introduzido nas nossas igrejas os símbolos, termos, festas e costumes judaicos, como se esses rituais tivessem algum "poder" ou alguma "santidade".

Tomem cuidado para que ninguém caia na armadilha de se voltar ao fardo da Lei, guardando "dias, meses, ocasiões específicas" (Gl 4.10). "Ouçam bem o que eu, Paulo, lhes digo: Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá" (Gl 5.2). E ainda: "Não há diferença entre judeus e gentios, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa ricamente todos os que o invocam" (Rm 10.12).

Portanto, recomendo que, estando no Brasil, se diga "Jesus" mesmo, pois é assim que todos o chamam, de maneira que todos compreenderão a respeito de QUEM se fala. E se acaso for falar com o próprio Filho de Deus, acredite, ele responderá à oração feita com fé, seja em português ou em qualquer outra língua.